VC apresenta "Os Brutos Também Amam" (1953)

Cenas do clássico Os Brutos Também Amam (Paramount Pictures).

Eu conhecia um pouco da história de Os Brutos Também Amam (Shane, 1953) através da leitura de livros com recomendações sobre os melhores filmes de todos os tempos. Apesar dele ser um dos indicados como tal, eu não o assisti até ver cenas e frases suas no ótimo Logan (2017). Foi quando decidi que já estava mais do que na hora de conferir essa história sobre a amizade entre o cowboy Shane (Alan Ladd), um pistoleiro em fase pacífica, e o garotinho Joey (Brandon De Wilde). 

Na cena inicial, Shane aparece cavalgando do Sul de Jackson Hole, em direção ao seu Norte. Pelo caminho, ele precisa cruzar as terras do casal Joe (Van Heflin) e Marian Starret (Jean Arthur), pais de Joey. Ali, numa paisagem emoldurada pela Cordilheira Teton, o forasteiro para, troca algumas palavras com pai e filho, dá apoio moral a família ao vê-la ser ameaçada por Rufus Ryker (Emile Meyer), aceita o convite para o jantar e acaba ficando. Quem curte essa ideia é Joey, que passa a ver Shane como seu ídolo e o segue por onde quer que ele ande.

Jackson Hole, principal locação do filme, fica no Estado de Wyoming, Estados Unidos.

Já como funcionário de Starrett, Shane vai ao armazém e bar do vilarejo local, que pertencem a Sam Grafton (Paul McVey), onde é insultado por Chris Calloway (Ben Johnson), um dos capangas de Ryker. A fim de evitar briga, Shane sai sem responder aos insultos do homem. Dias depois, ao retornar ao estabelecimento, Shane limpa a sua imagem perante Joey saindo no braço com o valentão que o provocou. 

Quando Starrett junta-se a Shane, os dois dão uma surra em todos os brigões do local, incluindo o próprio Ryker. É quando o vilão decide que está na hora de contratar um pistoleiro profissional, materializado na figura de Jack Wilson (Jack Palance). Ryker quer as terras de todos os fazendeiros locais e não pretende medir esforços para conseguir isso, nem que precise mandar Wilson matar um por um, especialmente Starrett, que é quem mantém os demais unidos.

Apesar da violência exibida no filme, a intenção do diretor George Stevens foi criar um faroeste em que pudesse mostrar a sua intolerância a qualquer tipo de imposição dos mais fortes sobre os mais fracos. Ele ainda estava horrorizado com a capacidade de destruição das armas que tinha presenciado nos campos de batalha da II Guerra Mundial e usou esse filme como uma forma de se posicionar em favor da paz.

Cena de Logan que faz referência ao filme Os Brutos Também Amam (20th Century Fox).

Voltando ao filme Logan, nele o diretor James Mangold mostra Charles (Patrick Stewart) assistindo ao filme de Stevens e fazendo comentários saudosos para Laura (Dafne Keen). Dias depois, a menina repete, numa cena carregada de emoção, uma fala dita por Shane a Joey:

"O homem tem que ser o que ele é, Joey. Não se pode quebrar os moldes. Eu tentei, mas não deu certo. Não há vida depois de matar. Não dá para voltar atrás. Certo ou errado, é como uma marca. Uma marca que fica. Agora, vá para casa e diga à sua mãe que está tudo bem. Diga que não há mais armas no vale."

"Shane! Come back!Que atire a primeira pedra quem não se emocionou com esse pedido do pequeno Joey, acompanhado pela trilha sonora de Victor Young.

Os Brutos Também Amam foi um dos filmes mais amados da sua época e passou no teste do tempo, com várias gerações se emocionando com ele. E eu acredito que depois da sua presença em Logan, uma nova safra de espectadores, assim como aconteceu comigo, também terá interesse em conhecê-lo.

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