VC apresenta "Ex Machina: Instinto Artificial" (2015)

Pôster e cenas de "Ex_Machina: Instinto Artificial"
Pôster e cenas de Ex Machina: Instinto Artificial (Divulgação).

Ex Machina: Instinto Artificial — Resumo do filme

Combinando ficção científica e mistério, Ex Machina: Instinto Artificial (2015) nos apresenta a Caleb Smith (Domhnall Gleeson), um dos melhores programadores da empresa de tecnologia Blue Book, no momento em que ele descobre que foi o escolhido para participar de um projeto, pelo período de uma semana, com o CEO e gênio da programação Nathan Bateman (Oscar Isaac). 

Nathan recebe Caleb em sua casa e fortaleza, localizada numa região remota do Alasca, onde nem sinal de internet chega perto. Nesse lugar também funciona o laboratório de pesquisas do executivo, o que faz com que ele mantenha consigo apenas a silenciosa Kyoko (Sonoya Mizuno), a sua ajudante para os assuntos do lar.

Quando se encontra com o chefe, Caleb descobre que o seu papel no tal projeto é interagir, separado por uma parede de vidro, com um robô de aparência feminina, programado com Inteligência Artificial (IA) e chamado de Ava (Alicia Vikander). A ideia de Nathan é aplicar o conceito do Teste de Turing nas interações entre o rapaz e a robô e descobrir se, durante o processo, ele se esquece de que ela é uma máquina e passa a vê-la como um ser humano. 

A diferença entre o teste de Nathan e o de Turing é que, nesse caso, o humano verá a máquina enquanto conversa com ela (no de Turing, ele apenas ouve a voz). Se acontecer o que Nathan deseja, ele entenderá que criou o melhor e mais perfeito programa de IA do mundo, algo que o transformará numa espécie de Deus quando ele tornar pública a sua invenção. 

As sessões começam e, desde a primeira troca de palavras, Caleb fica fascinado pelo jeito de Ava falar e interagir com ele (e nós, espectadores, com a interpretação de Alicia). À medida que essas conversas continuam, o jogo se inverte, com Ava pedindo que Caleb fale sobre ele para que ela possa conhecê-lo melhor. 

Como é de se esperar de um programa de IA que se preze, a máquina passa a usar as informações novas (um aprendizado que Nathan acredita ser supervisionado) para melhorar a sua capacidade de classificar situações e fazer previsões mais assertivas (para os especialistas em IA, trata-se de um tipo de aprendizado por reforço). Um exemplo disso é quando ela passa a flertar abertamente com Caleb só para descobrir, pelas micro expressões faciais do rapaz, se ele se sente atraído por ela (e acerta, claro!). 

"Mary é o computador no quarto preto e branco; o humano é quando ela sai de lá."

Cada dia mais impressionado, Caleb quer saber como Ava foi criada. Nathan, então, explica-lhe que, para desenvolver o software, ele coletou (ilegalmente) vozes e expressões faciais de pessoas de todo o planeta, nos microfones e câmeras de celulares delas. Ele também se apossou dos dados dos usuários de sua empresa, a Blue Book, que nada mais é do que a ferramenta de busca online mais usada no mundo (a Google da ficção). 

De posse da massa volumosa e variada de dados, o talentoso programador desenvolveu o código de Ava, deixando-o tão próximo da realidade quanto acreditava ser possível. Em outras palavras, Nathan colocou Big Data a serviço de seu programa de Inteligência Artificial

Sobre a criação da parte física (o hardware) do robô humanóide, basta dizer que ele foi tão convincente que esse filme ganhou o Oscar de Efeitos Visuais, em 2016.

"A chegada da inteligência artificial tem sido inevitável há décadas. A variante era 'Quando', não 'Se'.  Eu não vejo Ava como uma decisão, mas como uma evolução."

O teste segue o seu rumo até que uma declaração do chefe deixa Caleb desconfortável com a situação em que se encontra. Tal como acontece na vida real, em que softwares e hardwares passam por aperfeiçoamentos e são atualizados, Nathan tem os mesmos planos para Ava, o que significa que boa parte da memória dela será apagada, incluindo as conversas com Caleb. A partir desse instante, começam os problemas para os poucos personagens dessa história tão intrigante.

Ex Machina: Instinto Artificial — Lugares do filme

De acordo com o roteiro, a história de "Ex Machina" acontece em Nova York e no Alasca. As filmagens, no entanto, foram feitas na Inglaterra e na Noruega. 

Bloomberg Building

A primeira cena, em que Caleb está no escritório e recebe a notícia de que ganhou o concurso para trabalhar com Nathan, foi rodada nas antigas dependências londrinas do Bloomberg Offices: 50 Fisbury Square, em Broadgate

Hoje, o endereço dessa empresa fica num dos espaços construídos para altamente sustentável, localizado no 3 Queen Victoria Street (perto da St. Paul's Cathedral e da London Tower). Michael Bloomberg fala com bastante orgulho desse edifício em seu livro autobiográfico Bloomberg by Bloomberg.

A casa na floresta de Nathan

A casa de Nathan é a locação mais impressionante do filme e onde quase tudo acontece. Para ambientá-la, a produção fez uso de dois espaços noruegueses: o Juvet Landscape Hotel, localizado numa região florestal de Valldal, a cerca de 563 km de Oslo; e a Summer House (ou Fjøra House), que fica em Storfjord, uma cidade à 1.378 km de Valldal. 

Ambas construções foram concebidas pelos arquitetos da Jensen & Skodvin, o que faz com que, ao vê-las na tela, pensemos se tratar de um único espaço. 

O Juvet Landscape Hotel fica às margens do rio Valldøla e próximo das cachoeiras de Gudbrandsjuvet, ambos mostrados em cena. 

Quanto ao escritório da casa de Nathan, de onde ele observa as interações diárias entre Caleb e Ava, ele foi construído no Pinewood Studios, na Inglaterra, o mesmo estúdio dos filmes de James Bond.

Ex Machina: Instinto Artificial — Comentários

Escrito e dirigido por Alex Garland, Ex Machina foi um dos concorrentes ao Oscar de Melhor Roteiro Original, em 2016. 

Este filme tem uma daquelas histórias que chegam sem fazer muito barulho, mas que merecem a nossa audiência e atenção concentrada por uma série de motivos: é uma trama muito bem desenvolvida; as conversas entre Nathan e Caleb e entre Caleb e Ava são bastante instrutivas e envolventes (seja você um apreciador ou não de tecnologia); e o final é bem perturbador, de fazer você ficar pensando nele por um bom tempo. Prepare-se!

Curiosidade: Tem uma parte da história de Ex Machina que é muito similar com a do filme 127 Horas (2010): por motivos diferentes, os personagens desses filmes se isolam do mundo, não querendo contato com outros humanos. No entanto, o que parece uma bênção, num primeiro momento, apresenta consequências drásticas na medida em que os dias avançam. Pior para Ex Machina. Você que assistiu ambos os filmes sabe do que estou falando.

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