VC apresenta "Babilônia" (2022)
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| Pôster e cenas do filme Babilônia, com Brad Pitt, Margot Robbie e Diego Calva nos papeis principais (Divulgação). |
O filme Babilônia (Babylon, 2022) faz uma leitura grandiosa da indústria do cinema dos anos 1920 até 1950, sob a ótica do diretor e roteirista Damien Chazelle, o mesmo de La La Land: Cantando Estações (2016).
Nessa estória de 3 horas e 9 minutos de duração, o cinéfilo convicto irá identificar muitas referências ao universo hollywoodiano do começo do século passado. Por exemplo, a presença de um elefante nos primeiros minutos de ação, que o lembrará de uma cena do clássico Intolerância (1916).
Outra referência mostrada de imediato é a preferência dos executivos, produtores e artistas famosos de então por residências isoladas nas montanhas dos arredores de Los Angeles; um padrão mantido até hoje entre astros e estrelas do cinema que podem bancar esse luxo.
Damien Chazelle aproveita a referência imobiliária para nos apresentar aos principais personagens de sua história numa dessas mansões remotas. Primeiro, o diretor nos mostra aquele que serve de elo para entendermos os principais acontecimentos e as mudanças ocorridas em Hollywood ao longo do tempo: Manny Torres (Diego Calva), um imigrante mexicano e faz-tudo profissional que é inteligente, mas iludido com as pessoas e o ambiente em que circula.
Manny trabalha para um figurão do cinema que está promovendo uma daquelas festas espetaculares e permissivas, que quase todos nós já ouvimos falar que aconteceram naquela Los Angeles ainda em formação. É nela, com o seu ritmo frenético, música ensurdecedora, bebida à vontade, drogas liberadas e onde todo mundo é de todo mundo, que conhecemos os outros personagens importantes para a trama: o astro Jack Conrad e a aspirante a estrela Nellie LaRoy (Brad Pitt e Margot Robbie, que trabalharam em Era Uma Vez Em... Hollywood), mais o saxofonista Sidney Palmer (Jovan Alepo), a colunista Elinor St. John (Jean Smart) e a performer Lady Fay Zhu (Li Jun Li).
O roteiro de Damien começa com uma pegada cômica, na época do cinema mudo, quando Conrad e Fay Zhu são celebrados pelo público, e LaRoy e Palmer conseguem seus momentos de glória. No entanto, quando a indústria do entretenimento ganha som e O Cantor de Jazz (1927) é lançado, as coisas mudam vertiginosamente.
Os espectadores de Babilônia também sentem a mudança de tom pois precisam testemunhar a transição de uma história divertida para o drama, com cenas que dão uma noção do que, provavelmente, aconteceu com muitos profissionais do cinema daquela Hollywood competitiva e instável. Um desses destinos, por sinal, é tema do clássico Crepúsculo do Deuses (1950).
Babilônia e suas locações californianas
Sobre os lugares exibidos na tela, sugiro dois bem interessantes para quem quiser se aventurar a viajar para Los Angeles e, de lá, para a comuna de Del Sur, ambos na Califórnia, para conhecê-los.
Paramount Studios
Primeiro, os estúdios da Paramount, presente em algumas cenas e no final da história. Ele é acessível e aberto ao público para visitação, com informações completas em seu site (5515 Melrose Avenue).
Castle Ranch Mansion
Segundo, a mansão da festa de arromba do início do filme. Ela se chama Castle Ranch e fica no 44901 da da Faimont Road, em Del Sur. Para você ter uma ideia de distância, leva cerca de 2 horas desde a Hollywood Boulevard, em LA, para chegar lá. Como essa propriedade é privada, você precisa querer muito ir até lá só para dar uma conferida no exterior da locação.
Babilônia: Comentários
Apesar da grandiosidade, Babilônia recebeu apenas 3 indicações ao Oscar —Direção de Arte, Trilha Sonora e Figurino—, mas não ganhou nenhuma. Pessoalmente, eu gostei da imaginação criativa de Chazelle e de suas escolhas tanto de elenco como fotográficas.
Os atores principais estão excelentes em seus papeis, com Brad Pitt transitando da comédia (quesito em que tira nota 10 em qualquer filme em que apareça) para o drama de forma crível e digna de um ator completo. Margot Robbie foi, na minha opinião, a escolha atual mais que perfeita para passar as emoções intensas que essa história exigiu. Quanto a Diego Calva, o seu personagem consegiu nos lembrar de que meros mortais acertam, erram, acertam, erram, acertam e, eventualmente, tomam a decisão mais adequada para o contexto e o momento.
A parte que menos curti foi quando, mais de duas horas depois de história rolando, o personagem James McKay (Tobey Maguire) entra em cena e o diretor decide se prolongar em algo que, creio eu, poderia ser feito com a mesma tensão, mas de forma menos desagradável.
No mais, curta o filme.

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