VC apresenta "Margin Call: O Dia Antes do Fim" (2011)
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| Pôster e cenas de Margin Call: O Dia Antes do Fim (Divulgação). |
Margin Call — O Dia Antes do Fim: O filme
"Há três formas de ganhar a vida neste negócio: seja o primeiro, seja o mais inteligente ou trapaceie." (John Tuld)
A trama de Margin Call: O Dia Antes do Fim (Margin Call, 2011, direção e roteiro de J.C. Chandor), passa-se em Manhattan, poucos dias, ou mesmo horas, antes do colapso financeiro ocorrido em setembro de 2008.
Naquele dia específico, um banco de investimentos começou um processo de demissão em massa. Entre os desligados estava Eric Dale (Stanley Tucci, de Dança Comigo?), um gestor de risco que trabalhava há quase vinte anos na companhia e que estava analisando uma série de dados cuja tendência indicava que a instituição estaria prestes a entrar numa situação financeira catastrófica.
Antes de deixar o prédio, escoltado por um segurança, Eric conseguiu entregar um pen drive com toda a análise feita à Peter Sullivan (Zachary Quinto), um dos seus subordinados até então, para que ele pudesse concluir o estudo. O homem se despediu alertando o rapaz para ter cuidado com as informações contidas nele.
Ao final do dia, depois dos funcionários remanescentes saírem para celebrar o fato de ainda terem um emprego, Peter iniciou o trabalho de analisar o conteúdo do pen drive. Poucas horas e muitos cálculos depois, ele pede para que o seu colega de trabalho, Seth Bregman (Penn Badgley), volte para o edifício trazendo consigo o diretor de operações, Will Emerson (Paul Bettany).
Quando o trio analisa junto o que está para acontecer ao banco nas próximas horas, devido ao seu alto grau de alavancamento e ao fato de o valor do possível prejuízo ser maior do que o valor da empresa, é a vez de Will pedir a presença do diretor-geral, Sam Rogers (Kevin Spacey), no local, e de mandar Peter e Seth à procura de Eric Dale.
"Olhe para essas pessoas. Andando por aí sem a mais vaga noção do que está para acontecer." (Peter Sullivan)
A partir daquele momento, cerca das 23 horas da noite, até a manhã do dia seguinte, o número de pessoas que chega ao banco por causa da péssima notícia aumenta: Jared Cohen (Simon Baker, de O Diabo Veste Prada), chefe de Sam e braço direito do presidente da empresa; a diretora-financeira Sarah Robertson (Demi Moore), o chefe da equipe de Riscos de outra divisão da empresa e um conselheiro financeiro.
Às 2:15 da manhã, após reuniões de esclarecimentos e reanálises dos dados, o grupo conclui que o banco está operando a descoberto há mais de 5 dias, que levaria semanas para limpar os registros contábeis e que algo precisaria ser feito antes que o mercado de investimento faça as contas e chegue à mesma conclusão (o que envolveria algo em torno de 8 trilhões de dólares em papéis sem valor vendidos para todas as partes do mundo). Logo, aquele era o momento do presidente da instituição, John Tuld (Jeremy Irons), entrar em cena.
"Senhor, se os ativos caírem em apenas 25% e continuarem nos nossos registros, o prejuízo pode ser maior do que a capitalização de mercado atual da empresa inteira." (Peter para Tuld)"Então, você está me dizendo que a música está prestes a parar e vamos estar segurando o maior saco de excremento aromático jamais juntado na história do capitalismo." (Tuld para Peter)
A chegada do todo-poderoso Tuld culmina em mais reuniões, mais discussões e uma conclusão: para poderem sobreviver, eles deveriam vender tudo que conseguissem tão logo o mercado começasse a funcionar, passando as ações sem valor para quem quisesse comprá-las.
Sam Rogers não concordou com a estratégia e apontou o problema de que tal atitude iria matar o mercado financeiro por alguns anos, mas ele tinha seus motivos pessoais para obedecer o chefe e fazer a coisa toda acontecer. Dando tudo certo, o banco se tornaria o primeiro a sair do mercado antes da bomba estourar nas mãos dos demais players, culminando no que ficou conhecido como a crise financeira de 2008.
Além do que mencionei acima, dois pontos chamaram minha atenção sobre como as coisas funcionam em situações extremas como a exibida nessa história:
— Antes da bomba explodir, o presidente precisava ter um nome pronto como culpado pela zona toda para entregar para a imprensa. Nessa história, sobrou para a diretora-financeira interpretada por Demi Moore. Ela perderia toda a credibilidade profissional, seria envolvida em processos judiciais que culminariam na sua prisão, mesmo que temporária, mas sairia do banco com os bolsos abarrotados de dinheiro;
— O jovem analista de investimentos, cujos cálculos finais mostraram previsões assertivas, não só foi mantido na empresa como foi promovido. De acordo com Tuld, quando a m... toda explodisse, eles teriam muitas oportunidades de ganhar dinheiro com a situação e precisariam das melhores cabeças para trabalhar com eles.
Ou seja, mesmo em tempos de crise, apesar de muitas pessoas serem demitidas (e algumas saírem como únicas culpadas pelo problema), outras pessoas poderão ser promovidas e sempre existirá a chance de se ganhar dinheiro com o caos.
Margin Call — O Dia Antes do Fim: Locações
PENN 1
Falando sobre as locações, a maior parte do filme se passa em Manhattan, nos escritórios do 42º andar do PENN 1 (1 Pennsylvania Plaza, na parte West de Midtown Manhattan), onde o banco de investimento da ficção funcionava.
Um outro edifício, localizado no nº 200 da West 56th Street, teve a sua fachada usada como sendo a frente do prédio e foi mostrado numa cena entre Peter e Sam, já pela manhã e faltando poucos minutos para o mercado abrir as suas operações.
A casa de Eric Dale
Longe do banco, uma locação de destaque é a casa de Eric Dale, localizada no 144 da Columbia Heights, no Brooklyn. Will e Seth vão ao local na tentativa de levá-lo de volta ao banco, antes do horário de abertura das operações naquela manhã fatídica.
