Sloppy Joe's, o bar de Hemingway em Key West
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| O Sloppy Joe's em Key West (Fran Mateus) e no filme "Hemingway e Martha" (Divulgação). No meio, um cartaz do bar divulgando o Hemingway Look-Alike Constest. |
Ernest Hemingway, o escritor que viveu a vida que quis
Homens do mundo inteiro (e muitas mulheres também) admiraram — e continuam admirando — o escritor Ernest Hemingway (1899-1961) pelo estilo de vida que ele levou! E motivos não faltam, pois esse norte-americano de espirito livre fez tudo que muitos deles sempre quiseram fazer, sem pedir permissão ou desculpas a ninguém. Quer exemplos?
- Hemingway serviu na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e foi correspondente de outras tantas, fazendo parte da História do seu tempo (fiquei surpresa, conversando com alguns homens, do quanto isso é valorizado por eles);
- Morou em Paris quando tinha seus 20 e poucos anos — na flor da idade — e deixou os seus melhores momentos por lá registrados em Paris é Uma Festa;
- Foi com esposa e amigos assistir touradas na Espanha, especialmente, em Pamplona, imortalizando a Fiesta e a cidade em seu primeiro romance, O Sol Também Se Levanta;
- Caçou pelas savanas africanas, onde se inspirou para escrever um dos seus contos mais profundos, As Neves do Kilimanjaro;
- Pescou em águas cubanas, italianas, africanas e estadunidenses;
- Teve muitos amores e quatro esposas: Hadley Richardson (de 1921 a 1927), Pauline Pfeiffer (de 1927 a 1940), Martha Gellhorn (de 1940 a 1945) e Mary Welsh (de 1946 a 1961);
- Morou em muitos lugares — Oak Park, Paris, Toronto, Key West, Havana e Idaho — e conheceu boa parte do mundo;
- Não só escreveu grandes sucessos literários — incluindo Adeus às Armas, Por Quem os Sinos Dobram e O Velho e o Mar — como venceu o Prêmio Nobel da Literatura de 1954.
- E, para a alegria dos machos alfas de todas as partes do mundo, bebeu de tudo que havia de melhor e de pior na sua época (em seus livros, ele menciona bastante as grappas italianas e os licores franceses).
Muitos dos drinques de Hemingway foram tomados num animado bar chamado Sloppy Joe's.
O Sloppy Joe's na vida de Hemingway
Falando sobre bebidas, um dos bares mais frequentados por Hemingway foi o Sloppy Joe's, localizado em Key West, na Flórida, Estados Unidos, onde o escritor morou durante toda a década de 1930, com sua segunda esposa, Pauline Pfeiffer, e seus dois filhos, Patrick e Gregory.
Considerando que Hemingway já vivia em Key West quando o Sloppy Joe's abriu as portas, em 05 de dezembro de 1933 (no mesmo dia em que a Lei Seca foi encerrada nos EUA), podemos acreditar que Papa foi um dos primeiros frequentadores deste bar, certo? E o lugar se orgulha disso até hoje.
Na história do Sloppy Joe's, apresentada em seu site, existem honrosas referências à presença de Hemingway por lá e à amizade dele com o dono do estabelecimento, Joe Russell. Anualmente, no mês de julho (que marca o nascimento, mas também a morte do escritor), também são realizados ali, concursos para eleger o sósia do mestre da Literatura, o Hemingway Look-Alike Contest. Da sua parte, o escritor se inspirou em Joe Russell para criar o personagem Freddy, o dono do Freddy's bar, do seu livro Ter ou Não Ter (1937).
Para ver o Sloppy Joe's na telinha (na verdade, a versão dele recriada em São Francisco), a dica é assistir ao filme Hemingway & Martha (2012), com Clive Owen no papel do escritor e Nicole Kidman, no de Martha Gellhorn, sua terceira esposa (e a que ficou menos tempo com ele). Com direção de Philip Kaufman, essa produção mostra Hemingway cobrindo a Guerra Cívil Espanhola (1936-1939) e apresenta o nosso Rodrigo Santoro no papel de Paco Zarra, descrito como “um homem que viu em primeira mão os horrores que Franco e os fascistas impuseram sobre o povo espanhol”.
Quando você puder, vá conferir o Sloppy Joe 's, pessoalmente, em Key West. Eu fiz isso numa tarde de junho de 2014 (depois de visitar a casa de Hemingway e Pauline, exibida em Ella e John) e fiquei impressionada com a atmosfera vibrante do lugar — mesas lotadas, música animada ao vivo, TV exibindo uma partida de futebol americano e ambiente decorado tanto com bandeiras de diversas partes dos EUA e do mundo como com alguns itens pessoais de Hemingway (doados pela sua viúva dele, Mary Welsh Hemingway).
Algo que também me surpreendeu ali foi o fato de, naquela muvuca toda, um dos funcionários ter a gentileza de me perguntar se eu queria que ele tirasse uma foto minha no local. Aceitei, claro, e mesmo não bebendo uma gota de álcool, ainda quero voltar no futuro (o lugar tem refeições saborosas e serve bebidas não alcoólicas também).
Por tudo que o Sloppy Joe's significou para Hemingway e pela sua vibe animada, eu recomendo que você, fã do escritor e do seu estilo de vida, faça uma visita ao lugar preferido dele, em Key West. E se você não for fã do homem, eu recomendo que vá do mesmo jeito 😂. Além de estar num ambiente alto-astral e numa ilha agradabilíssima, você vai conhecer um pouco da história local e até se sentir parte do grupo de amigos de um dos escritores mais brilhantes do universo literário mundial. Fica a dica 😉!
🍸Anote: 201 Durval Street.

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