Woody Allen em Nova York: "Interiores" (1978)
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| Filme Interiores (1978) e cena na igreja St. Ignatius Loyola (Divulgação). Foto da igreja (Fran Mateus). |
Interiores: O filme
Depois de realizar uma série de filmes cômicos (considerando Um Assaltante Bem Trapalhão, de 1969, como o primeiro dessa safra) e a comédia dramática e romântica Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, o diretor Woody Allen surpreendeu o seu público com Interiores (1978), um filme sobre como uma mudança, absolutamente, inesperada pode desencadear diferentes reações nos membros de uma família.
O primeiro drama da carreira de Allen é um filme em tons de bege e terra. Lançado em 1978, ele tem um elenco interessante. Nos papéis femininos estão Geraldine Page, como Eve, a matriarca da família do filme; Diane Keaton, como Renata, a filha mais velha; Kristin Griffith como Flynn, a filha do meio; Mary Beth Hurt como Joey, a caçula; e Maureen Stapleton como Pearl, a madrasta.
Os papéis masculinos foram representados por E.G. Marshall como Arthur, o patriarca da família; Sam Waterston como Mike, o marido de Joey; e Richard Jordan como Frederick, o marido de Renata.
Na trama, Eve é uma mulher regrada, fria, metódica e que vive num mundo clean e de cores soft. Quando é deixada por Arthur, ela se vê sem rumo. As filhas tentam dar-lhe um pouco de atenção, mas cada uma delas tem a sua própria vida para tomar conta, com seus próprios problemas profissionais e conjugais. O tempo passa e a depressão de Eve só aumenta à medida que a felicidade do ex-marido desabrocha ao lado de outra mulher, Pearl.
Interiores: Cena em Manhattan
Sobre as locações, a maior parte de Interiores se passa numa bela casa de praia, em Southampton, no Estado de Nova York.
Em Manhattan, o destaque fica para uma cena com Eve e Arthur feita na Igreja St. Ignatius Loyola (980 Park Avenue, Upper East Side). Nessa igreja datada de 1851, cujo prédio é considerado um Marco Histórico de Nova York, Eve tenta uma reconciliação com o marido, mas ele insiste no divórcio para seguir em frente com a sua vida.
Interiores: Comentários
Para esse filme, Woody Allen bebeu nas fontes do seu ídolo, Ingmar Bergman (especialmente, no filme Gritos e Sussurros), e do escritor Tchecov (com o livro Três Irmãs). Talvez por isso ele não tenha agradado aos fãs da época, que esperavam ver mais do que o diretor já vinha realizando bem: as comédias (fossem elas escrachadas ou românticas). Esse público respondeu, nas bilheterias, de forma tão fria quanto os tons da fotografia de Gordon Willis.
Eu também não assimilei bem a história de Interiores de imediato. Somente anos depois, quando vi o filme pela segunda vez, foi que comecei a gostar dele e a entendê-lo melhor. Não se trata de uma cadeia de histórias fáceis, mas factíveis. Existem pessoas na vida real passando por situações similares a que cada um dos personagens deste filme enfrenta e apresentando reações bem distintas para as oportunidades de mudanças de rumo que a vida oferece.
