"As Cores do Tempo" em Paris
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| O presente e o passado de "As Cores do Tempo" (Divulgação). |
Depois do sucesso com a trilogia Albergue Espanhol (2002), Bonecas Russas (2005) e O Enigma Chinês (2013), o diretor e roteirista Cédric Klapisch nos presenteia com o filme As Cores do Tempo (La venue de l' avenir, 2025); uma declaração de amor à cidade de Paris e ao movimento impressionista.
As Cores de Paris no Presente
O filme começa nos nossos dias, dentro do museu L'Orangerie, onde o jovem Seb (Abraham Wapler), um criador de conteúdo digital, encontra-se trabalhando num projeto de moda que tem como fundo as telas As Ninféias (Nymphéas), obra do pintor impressionista Claude Monet (1840-1926).
Logo depois, Seb acompanha seu avô numa reunião em que um organismo público juntou toda a sua família — de várias gerações — para discutirem o destino de um imóvel localizado na Normandia, que pertenceu à mulher que deu origem a todos eles: Adèle Meunier (Suzanne Lindon), nascida Vermillard, como os representantes oficiais fazem questão de esclarecer.
Daquele grupo imenso, quatro pessoas são eleitas para representar a família e visitar o imóvel, esse alvo de interesse de uma cadeia de supermercados, que deseja demoli-lo para dar espaço para um estacionamento. Além de Seb, os demais membros da família são Céline (Julia Piaton), Guy (Vincent Macaigne) e Abdelkrim (Zinedine Soualem); todos primos.
No início, os quatro parentes tinham pouco interesse no imóvel. Porém, à medida em que vão desvendado os seus segredos — como fotos antigas de Adèle e outros familiares, um quadro que parece ser impressionista e cartas que aquela mulher trocou com seu(s) amor(es), o quarteto decide investigar o que aconteceu com a sua ancestral, no passado remoto, e como as ações dela impactaram a vida deles, no presente.
No trabalho investigativo, o quarteto ganha a ajuda de Calixte (Cécile de France), uma especialista em História da Arte que tem um papel fundamental — e divertido! — nessa história.
As Cores de Paris no Passado
Enquanto os quatro primos tentam desvendar o mistério em torno de sua antepassada em comum, Adèle, o filme nos mostra o que realmente aconteceu com essa mulher.
Adéle nasceu em 1895, o mesmo ano em que o movimento impressionista também foi lançado ao mundo (o quadro Impressão: Nascer do Sol terá um papel fundamental nessa história). Quando tinha 1 ano de idade, a moça foi entregue aos cuidados da avó e com ela viveu até o falecimento da velha senhora.
Quando a fatalidade aconteceu, Adèle, já com dezoito anos, se despede do seu namorado, Gaspard (Valentin Campagne), e viaja até Paris para conhecer sua mãe, Odette (Sara Giraudeau), a quem ela nunca tinha visto antes, para avisar-lhe do ocorrido.
No barco até Paris, a moça conhece os amigos Lucien (Vassili Schneider), um fotógrafo iniciante quando a fotografia também o era; e Anatole (Paul Kircher), um pintor de estilo impressionista que queria ser famoso pela sua arte.
Na capital francesa, os rapazes seguem para Montmartre e se hospedam no Le Rat Mort, um misto de pensão e restaurante, onde, depois de conhecer sua mãe, Adéle também se instala.
Os museus de As Cores do Tempo em Paris e arredores
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| Cena inicial de "As Cores do Tempo" no Musée l'Orangerie (Divulgação). |
A história de As Cores do Tempo é deliciosa, do tipo que faz você deixar a sala de cinema com um sorriso no rosto e uma vontade imensa de viajar para Paris e seus arredores; especialmente, para visitar quatro museus muito interessantes.
Musée l'Orangerie — Paris
É neste museu pequeno e charmoso onde a história começa, dentro da sala oval dedicada às belíssimas pinturas de Claude Monet, intituladas As Ninféias. Nela, encontramos Seb fotografando uma modelo para um video publicitário de moda.
Nesta cena, fica claro como algumas pessoas se esqueceram do valor artístico das obras impressionistas e pensam, somente, em seu valor promocional tanto para marcas comerciais como de marcas pessoais.
Endereço: Jardim das Tulherias
Musée d'Orsay — Paris
Desconfiado de que a pintura encontrada na casa de sua ancestral seja de estilo impressionista, Abdelkrim, que é professor de História da Arte, vai ao Museu de Orsay — o lar oficial dos pintores impressionistas — para consultar sua antiga aluna e grande amiga, Calixte.
Depois de caminhar pelo museu e apreciar algumas de suas belas obras, o professor segue Calixte até o restaurante do andar superior, onde fica o famoso relógio do edifício, e ali conversam por horas, sem verem o tempo passar.
Endereço: 1 Rue de la Légion d'Honneur
Musée d'Art Moderne André Malraux (MuMa) — Le Havre
Calixte leva os quatro primos até este museu, localizado na cidade de Havre, para conversaram com sua amiga Dounia (Evelyne El Garby Kläi), uma expert em arte impressionista
Endereço: 2 Boulevard Clémenceau
Casa e Jardins de Claude Monet — Giverny
No passado, querendo compreender o seu passado e as suas raízes, Adéle procura por Claude Monet, na casa dele. Ali, o pintor impressionista, já famoso, pede-lhe para posar para ele.
Endereço: 84 rue Claude Monet
Curiosidades de As Cores do Tempo
No passado, Adéle, Lucien e Analote vão a um restaurante chic, encontrar-se com o tio rico de um dos rapazes, e terão um vislumbre da diva do teatro Sarah Bernhardt (interpretada por Philippine Leroy-Beaulieu; a poderosa chefona de Emily em Paris).
Os atores Cécile de France e Zinedine Soualem trabalharam com Cédric Klapisch na trilogia Albergue Espanhol, Bonecas Russas e O Enigma Chinês. Ela como a melhor amiga do protagonista Xavier Rousseau (Romain Duris); ele, como o vizinho do rapaz (que o usava como inspiração para o papel de um dos personagens de seus livros).

