Haworth e os seus ventos uivantes
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| Cena do filme "O Morro dos Ventos Uivantes" (1992), com Juliette Binoche e Ralph Fiennes (Divulgação). |
Livro de enredo enigmático e inteligente construção de frases, O morro dos ventos uivantes (1847) foi uma das melhores leituras que tive o prazer de desfrutar.
Obra única de Emily Brontë, ele deu origem a uma série de produções cinematográficas. De todas que assisti, nenhuma supera o livro em intensidade de emoções. A que mais se aproxima do teor emocional da obra é a interpretada por Ralph Fiennes como Heathcliff, e Juliette Binoche como Catherine Earnshaw.
Livro e filmes foram, e continuam sendo, sucesso de público. O primeiro foi muito criticado em sua época, antes de se tornar um sucesso literário. Dos segundos, não ouvi muita coisa, mas vale a pena assisti-los e tirar as suas próprias conclusões. Em comum, todos mostram ou mencionam as paisagens da história. Lugares capazes de fazer milhares de fãs, todos os anos, visitarem Haworth, o lugar por trás da trama.
O vilarejo de Haworth está localizado nos campos de Yorkshire, considerada uma das regiões mais belas da Inglaterra.
Conhecidos como "Paraíso Negro", esses campos são silenciosos, sombrios, úmidos e frios quase todo o ano. Dá para ver, pelas cenas do filme, que o vento impera. É o cenário perfeito para uma história de amor tão violenta e fantasmagórica (acho que posso usar esta palavra) quanto a de Brontë.
As constantes tempestades da região foi algo que me chamou a atenção. São tão fortes que deixam qualquer dia com cara de noite, daquelas de dar absoluto medo.
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| O Brontë Parsonage Museum, em Haworth, Yorkshire, Inglaterra (Divulgação). |
Outra cena curiosa: as duas únicas casas citadas na obra destacam-se pelas diferenças. Se Wuthering Heights é escura, sem conforto e assustadora; a Granja da Cruz do Torto é um lugar calmo, tranquilo, belo, chegando a ser um alívio diante da austeridade da sua vizinha.
Amo tudo a respeito do livro, do filme e do cenário. Considero Haworth um dos lugares que vale a pena conhecer, especialmente o Brontë Parsonage Museum, onde Emily e sua família — incluindo Charlotte e Anne, também escritoras — viveram pelo curto período de vida que tiveram.
O mês de maio, o mesmo do meu aniversário, é considerado a melhor época do ano para se estar lá. É quando começa o verão e os ingleses saem das suas casas e vão aproveitar o frescor dos parques. Imagino que agradáveis caminhadas poderei fazer num lugar assim.
Preciso programar um mês de maio que me permitirá provar deste prazer movido à paixão por livros, cinema e viagens.

