VC apresenta "Paris, les boulevards e seus cafés famosos"
![]() |
| Um café parisiense (Divulgação). |
Que Paris é uma cidade linda, todos sabem... Que ela é repleta de monumentos históricos, museus grandiosos, belas praças, românticas pontes e da famosa torre, é falar do óbvio... Cada um tem a possibilidade de escolher a Paris que mais lhe agrada... para mim, por exemplo, o que há de melhor na Cidade-luz são os seus cafés, e é sobre eles que vou escrever agora.
Existem duas regiões famosas "en la cité parisienne" pelos cafés e pela circulação de muita gente famosa - muitos intelectuais, e outros...nem tanto. São elas: Montparnasse e Saint-Germain-des-Pres.
A nossa primeira parada é o Boulevard du Montparnasse. A região sempre foi frequentada por nomes célebres - Cézanne, Zola, Picasso, Diego Rivera, Trotsky, Scott Fitzgerald e Lênin, só para citar alguns. Mas, à mon avis, o endereço entrou no mapa dos amantes do café quando Ernest Hemingway escreveu sobre ele, de forma tão apaixonada, em Paris é uma festa (leitura agradabilíssima, para ser feita em algum café de sua cidade).
O escritor americano caiu de amores pelo Closerie de Lilas, situado no número 171 do boulevard. O Closerie foi inaugurado em 1847 e, desde então, frequentado por muita gente talentosa. Só para se ter uma ideia, Monet, Renoir e Sisley andaram discutindo as mudanças necessárias no mundo da pintura - como criar o Impressionismo - enquanto bebericavam o delicioso e fumegante líquido.
Outros points famosos desta parte da cidade são: o Le Dôme (inaugurado em 1905 e situado no número 108 do boulevard), o La Rotonde (inaugurado em 1911; número 105) e o La Coupole (inaugurado em 1927; número 102).
O nosso segundo endereço continua do lado esquerdo do Sena e trata-se do Boulevard Saint-Germain-des-Pres. Ali, quase colados uns aos outros, estão 3 cafés mundialmente conhecidos: o Café de Flore, o Les Deux Margots e a Brasserie Lipp.
Frequentado, no passado, por intelectuais como o casal Sartre e Simone de Beauvoir, o Café de Flore é o preferido, na atualidade, pelos famosos do mundinho fashion, que segue para lá, após os desfiles da temporada, para continuar 'vendo' e 'sendo visto'. Curiosidade: foi ali, entre uma xícara e outra, que Sartre escreveu "O Ser e o Nada".
Sobre o Deux Margots, fico imaginando Oscar Wilde por ali, bebendo e falando. Adoraria poder encontrá-lo e escutar algumas de suas frases espirituosas. Pena que ele já estava velho e amargurado quando andou pelos côtés de Saint-Germain-des-Pres...
Antes, durante e depois do seu Pequeno Príncipe, Saint-Exupéry fez da Brasserie Lipp point obrigatório. Podemos concordar que o escritor francês - preferido de toda Miss que preze seu título - tinha bom gosto. Mas, era a cerveja, e não o café, o motivo de suas andanças constantes pelo local.
Você deve estar se perguntando o que aquela gente falava tanto: de política, religião, filosofia e da vida alheia, mon ami. Ou seja, o que hoje consideramos temas polêmicos e politicamente incorretos de se discutir abertamente, aquele grupinho - que se tornou seleto - queria mais era ver o circo pegar fogo (ou melhor, uma xícara de café pegando fogo) e a indústria da mídia impressa progredir publicando seus livros e suas ideias revolucionárias!
Em 2009, eu fiz este que chamo O tour dos cafés. Confesso que só de passar na frente de cada um deles, e de sentir aquele clima de intelectualidade (e o aroma delicioso vindo das xícaras...), eu já me sentia mais espirituosa e inteligente (rs!). E, quando sentei no Closerie e pedi o meu cafe au lait quentinho, realizei minha vontade de sacar meu moleskine e escrever minhas opiniões sobre tudo - e sobre nada (se Sartre podia...) - para então, quiçá, algum dia, mudar o mundo (rs! rs! e rs!).
Você deve estar pensando que eu sou uma sonhadora... mas, convenhamos, sou uma sonhadora que saboreou um bom café em algumas das melhores cafeterias do planeta... uma delícia... posso garantir!
