"Trapaceiros" (2000) em Nova York

Pôster e cenas do filme "Trapaceiros", de Woody Allen
Pôster e cenas do filme "Trapaceiros", de Woody Allen (Divulgação).

Trapaceiros: O filme de Woody Allen

A história de Trapaceiros (Small Time Crooks, 2000, direção de Woody Allen) gira em torno do casal Ray (Allen) e Frenchy (Tracey Ullman, de Tiros na Broadway) e seus amigos, digamos, trapaceiros.

Ray é um ladrão sem talento, o que fez com que ele ficasse preso por dois anos. Quando sai da cadeia, cansado de lavar pratos, ele trama um novo golpe: alugar uma loja recém-desocupada, que fica na mesma quadra de um grande banco, para roubá-lo. A sua ideia é colocar a esposa vendendo cookies na loja, para servir de fachada, enquanto ele seus parceiros Denny (Michael Rapaport, de Poderosa Afrodite), Tommy (Tony Darrow) e Benny (John Lovitz) cavam um túnel até a agência bancária.

Eis que algo não planejado acontece: os cookies de Frenchy viram um sucesso, fazendo com que ela precise contratar a prima, May (Elaine May, do sitcom Crise em Seis Cenas) e atraindo a atenção tanto de um policial corrupto (Brian Markinson) como da mídia.

O plano de invadir o banco dá errado, porém, com a ajuda do tal policial, a turma de trapaceiros resolve investir no negócio dos cookies através de franquias, o que os faz enriquecer em menos de um ano. E é aí onde os problemas começam a aparecer, pelo menos, para Ray e Frenchy.

Quando o dinheiro começa a entrar na conta, Ray sente falta da vida simples de antes, em que ele podia comer um sanduíche acompanhado de uma cerveja gelada. Frenchy, por sua vez, quer fazer parte da alta-sociedade e passa a investir em cultura e refinamento. 

Enquanto o desejo do marido seria pegar o dinheiro e ir viver na Flórida com a esposa, ela prefere ir ver os monumentos históricos da Europa, acompanhada do instrutor cultural, tão refinado quanto pilantra, David (Hugh Grant). Obviamente, a falta de sintonia entre ambos abala o casamento deles e ambos se separam.

O que Frenchy ainda não sabia era que o pior estava para acontecer e que Ray seria a única pessoa com quem ela poderia contar.

Trapaceiros: Filmagens em Nova York

Cenas de "Trapaceiros" em Chinatown e no Metropolitan Museum, em NYC
Cenas do filme (Divulgação) e fotos da locação em Chinatown e da tela de Tintoretto, no MET Museum (Fran Mateus).

Washington Jefferson

Com um buquê de flores na mão, Ray vai até o Washington Jefferson à procura de uma velhinha chamada Nattie Goldberg, que alugou o espaço comercial que o interessa. Ao chegar no apartamento dela, ele descobre que a tal senhora é, na verdade, Benny, um pilantra que Ray conheceu quando estava na cadeia. Obviamente, os dois logo fazem uma parceria para roubarem o banco juntos.

O Washington Jefferson é um hotel de 3 estrelas, simpático e confortável, que fica próximo da Broadway (318 W 51st Street; metrô 50 Street).

Nota: no momento da publicação deste post, o website do hotel informava que o estabelecimento está temporariamente fechado e recomenda ao visitante que faça reserva no Hotel Edison, que fica ao lado da Times Square (228 W 47th Street; metrô 49 St).

O prédio dos novos ricos

Quando começam a ganhar rios de dinheiro por causa das vendas dos cookies, Frenchy e Ray se mudam para uma cobertura maravilhosa do Upper East Side, cujo prédio, datado de 1925, tem até serviço de portaria 24 horas. Nada mal, né?

(1165 Park Avenue; metrô 96 Street)

The Metropolitan Museum

Para Frenchy, não bastava ser rica; era preciso ser culta e refinada também, principalmente para evitar os olhares atravessados dos novos conhecidos que nasceram em berço de ouro. Ela, então, contrata os serviços de David para dar aulas de etiqueta para ela e Ray. 

A primeira aula de David acontece na sala 605 do MET Museum, onde ele explica detalhes sobre a pintura O milagre dos pães e peixes (1545-1550), do mestre italiano Tintoretto.

(1000 Fifth Avenue; metrôs 77 Street ou 86 Street)

Washington Square

Outro lugar que faz parte do passeio cultural de David com os novos-ricos é a área em torno da Washington Square, o coração de Greenwich Village. 

Ouça! Isto é interessante! Aqui viveu Henry James, o escritor, e... (David)

Onde ele comia? Estou com fome. Não me importo onde ele vivia. (Ray)

Na infância, Henry James morou no número 21 da Washington Place; e, na vida adulta, ele imortalizou a praça em seu romance Washington Square (1880), adaptado para o cinema com o título Tarde Demais (1949). 

Diferente de sua esposa, Ray tem pouco interesse naquele assunto e só quer saber mesmo é onde o escritor comia 😄.

(Metrô: West 4 St - Washington Sq)

Doyers Street

Cansado da vida de luxo e monotonia que levava, Ray separa-se de Frenchy e, sentindo saudade dos velhos tempos, decide cometer um delito: roubar uma joia da casa de uma anfitriã rica Chi Chi Potter (Elaine Stritch, de Setembro), durante uma festa para a qual ele foi convidado. Para isso, o antigo trapaceiro vai ao estabelecimento do número 15 da Doyers Street, em Chinatown, pedir para forjarem uma joia, para que ele possa trocá-la pela peça original, que está no cofre da socialite.

Quando caminha pela rua, Ray passa na frente do restaurante chinês Nom Wah (13 Doyers St), cujo interior foi exibido nos filmes A Era do Rádio e Tudo Pode Dar Certo

(Metrô mais próximo: Canal St, e mais uns 10 minutos de caminhada).

Trapaceiros: Inspiração num conto de Conan Doyle

A cena do roubo ao banco de Trapaceiros foi inspirada numa situação similar, apresentada no conto policial A liga dos ruivos (1891), de Arthur Conan Doyle, que acontece na Londres Vitoriana e coloca o detetive Sherlock Holmes, mais uma vez, em ação. 

O conto nos apresenta a história de Jabez Wilson, o dono de uma loja de penhores que procurou Sherlock Holmes para desvendar um mistério. Como sua loja não tinha muito movimento, esse senhor foi convencido pelo seu assistente a aceitar um emprego bem pago e de meio-período, que deveria ser preenchido por alguém ruivo como ele. No entanto, após algumas semanas de trabalho, o tal negócio da Liga dos Ruivos foi encerrado sem nenhum aviso prévio, o que deixou Wilson intrigado a ponto de procurar pela ajuda de Holmes. 

O que o penhorista não suspeitava era que os seus empregadores queriam era que ele saísse do seu estabelecimento, diariamente, para que pudessem cavar um túnel até o banco vizinho da loja. Os bandidos só não contaram com a astúcia de Sherlock Holmes para impedi-los de concretizar o golpe.

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