"Ladrão de Casaca" (1955) na Riviera Francesa

Pôster e cenas de Ladrão de Casaca na bela Riviera Francesa: a casa de John Robin no alto de Saint-Jeannet; ele em Nice; Frances no hotel Carlton, em Cannes; e Robin e Hughson no mercado de flores de Nice (Créditos: Paramount Pictures).

Em Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955), o filme mais elegante de Alfred Hitchcock, nós somos apresentados a John Robie (Cary Grant, de Charada), um ladrão de joias aposentado e morador da Riviera Francesa. Acontece que, de repente e na calada da noite, alguém começa a escalar telhados e a invadir mansões e quartos de hotéis dos ricos que estão naquele balneário europeu, usando a "assinatura" de Robie para incriminá-lo. Naturalmente, a polícia vai atrás do famoso "Gato".

Acontece que John Robie não é bobo e sabe que o comissário da polícia local, Lepic (René Blancard), não quer explicações, mas um bom motivo para colocá-lo atrás das grades de novo; por isso, o homem passa a investigar os assaltos por conta própria, na tentativa de provar a sua inocência.

Inicialmente, o ex-gatuno conta com a ajuda de sua empregada, Germaine (Georgette Anys), e do agente de seguros H. H. Hughson (John Williams, de Sabrina), que precisa recuperar as joias roubadas para se livrar de um alto prejuízo financeiro. Depois, ele também convence a ricaça Jessie Stevens (Jessie Royce Landis) e sua filha, Frances (Grace Kelly, de Janela Indiscreta), de que é inocente e conta com a ajuda delas para entrar numa festa exclusiva, onde ele tem certeza de que o "novo" e destemido gato irá colocar as garras de fora; o que, realmente, acontece.

Lugares da Riviera Francesa do filme Ladrão de Casaca

Cena de Ladrão de Casaca (1955) com Grace Kelly e Cary Grant numa estrada próxima a Èze (créditos: Paramount Pictures).

Num filme ambientado em plena Riviera Francesa, os lugares selecionados como locações precisam ser de alto nível. Hitchcock seguiu essa regra, começando pela casa do próprio "Gato". Confira.

A residência de John Robie em Saint-Jeannet

A sensação de frescor da casa de John Robie, conhecida como Villa des Bijoux e localizada em Saint-Jeannet, quase ultrapassa a tela. O lugar é arejado, bem mobiliado e com uma vista belíssima, tanto do Mediterrâneo como da montanha Le Baou de Saint-Jeannet. Em sua residência, John Robie é contatado pela polícia e foge dela, no início do filme; almoça com  H. H. Hughson, selando a parceria dos dois; e beija Frances, no final da história.

A título de curiosidade, este belo imóvel — de 12 ambientes e 7 quartos — estava à venda, em 2023, por US$3,8 milhões, ou cerca de R$21 milhões. Onde: 355 Route de Saint-Jeannet.

O Marché Aux Fleurs Cours Saleya, de Nice

Localizado na parte antiga de Nice, este simpático mercado de flores é o ponto de encontro entre John Robie e H. H. Hughson, quando eles se conhecem para falar dos roubos locais. Como a polícia está na cola do antigo "Gato", e este não quer ser preso de jeito nenhum, uma confusão bem divertida acontece no local, com flores voando para todos os lados.

O Carlton Hotel, em Cannes

O Carlton Cannes, da rede hoteleira Regent, é o hotel onde Frances e sua mãe se hospedam e onde conhecem Robie, que se apresenta com outro nome, para não despertar a suspeita das duas. 

Numa determinada cena, a apaixonada Frances convida Robie para assistir uma queima de fogos em seu quarto, de número 541. Ele, claro, aceita.

Na época das filmagens, o estabelecimento ainda era chamado de InterContinental Carlton. Onde: 58 Boulevard de la Croisette, Cannes.

A estrada de Moyenne Corniche

A corrida em alta velocidade entre os carros de Frances|Robin e o da polícia francesa acontece por essa espetacular rota de ligação entre Nice e o principado de Mônaco. Os destaques pelo caminho, além da galinha que aparece em cena, são a cidadezinha medieval Èze e o seu viaduto de pedra e arcos, por onde os carros passam cantando pneus.

O Château de La Croix des Gardes, em Cannes

Nesta mansão e castelo acontece o baile de máscaras em que John Robie espera desmascarar o gatuno que quer incriminá-lo. Com o maior desfile de joias exibido em um filme do qual se tem notícia, obviamente, o comissário Lepic e seus homens também estão presentes no local, querendo pegar Robie com a mão na massa. Neste jogo de gato e rato, Frances, Jessie e Hughson dão cobertura para que Robie seja bem-sucedido em sua missão. E não é que o "novo gato" tenta realizar mais um grande furto? Ele só não esperava que Robie estivesse na sua cola.

Do belo castelo, localizado no 145 do Boulevard Leader, em Cannes, Hitchcock só mostrou o exterior magnífico. O restante do local exibido em cena foi ambientado nos estúdios da Paramount, em Los Angeles.

Ladrão de Casaca: Comentários

Mapa da rota Cannes — Saint-Jeannet — Èze, lugares exibidos em Ladrão de Casaca (Google Maps).

Se você assistiu Ladrão de Casaca, me diga: dá ou não dá vontade de arrumar uma bela mala e embarcar para a Côte D'Azur? Minha resposta: "Com muito dinheiro no bolso, eu não pensaria duas vezes 😄".

Com um roteiro baseado no romance policial de mesmo título, publicado em 1952 e de autoria de David Dodge, o filme de Hitchcock foi indicado ao Oscar de Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Fotografia; venceu este último.

Ladrão de Casaca foi o terceiro filme de Alfred Hitchcock em parceria com Cary Grant. Antes dele, os dois trabalharam em Suspeita (1941) e Interlúdio (1946); e depois, em Intriga Internacional (1959). Este foi o último de três filmes do diretor em parceria com Grace Kelly: eles trabalharam antes em Disque M para Matar e Janela Indiscreta, ambos lançados em 1954.

Aos 27 anos de idade, Grace Kelly estava em alta demanda por parte de Hollywood, mas decidiu se aposentar das telas, com o filme Alta Sociedade (1956), para casar-se com o Príncipe Rainier III e tornar-se a Princesa de Mônaco.

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