Cafés de Lisboa: literários e charmosos

Trocando umas ideias com a estátua de Fernando Pessoa na frente do café A Brasileira (Foto: Acervo pessoal).

Eu sou apaixonada por café! Adoro o sabor, aprecio o aroma e curto tudo que gira em torno desse precioso líquido, especialmente, quando o assunto é um pouco de intelectualidade. Por isso, quando visitei Lisboa, fiz questão de incluir em meu passeio algumas das cafeterias históricas  — que lá são chamadas de cafetarias — mais conhecidas pela associação que têm com o mundo literário: A Brasileira, Martinho da Arcada, Nicola e Confeitaria Cistér. 

Os cafés literários de Lisboa

Visitando os cafés A Brasileira; Martinho da Arcada e a mesa de Fernando Pessoa; Nicola; e Confeitaria Cistér, com a pintura de Eça de Queirós na parede (Acervo pessoal).

A Brasileira

Comecei meu tour no café A Brasileira, em Chiado, um dos mais famosos da capital portuguesa. Em funcionamento desde 1905, ele se tornou um ponto de encontro entre artistas e intelectuais de outrora, sendo o poeta e escritor Fernando Pessoa o seu frequentador mais ilustre. Prova disso é a estátua dele, colocada na frente da casa (veja a foto de abertura deste post), dando as boas vindas aos fregueses da atualidade. 

Onde: Rua Garrett, nºs 102-122.

Martinho da Arcada

Ainda inspirada pelo universo de Fernando Pessoa, fui ao café Martinho da Arcada, cuja mesa do escritor continua intacta até hoje, atraindo a atenção dos frequentadores e dos turistas.

Este café-restaurante foi inaugurado em 7 de janeiro de 1778, atraindo a atenção de artistas de várias épocas, como o pintor e escritor Almada Negreiros, o escritor José Saramago e o diretor Manoel de Oliveira (que também possuem mesas especiais em seus nomes).

Que vontade que dá de saber sobre o que aqueles ilustres tanto falavam quando estavam em suas mesas, bebericando seus cafés e outros aperitivos! 

Onde: Praça do Comércio, nº 3.

Nicola

Aberto em 1779, o Café Nicola foi frequentado, assiduamente, por outro nome famoso da literatura portuguesa: Manuel Maria Barbosa du Bocage; ou apenas Bocage para os seus leitores. A associação do escritor com o café foi representada tanto através de pinturas sobre a vida dele nas paredes do estabelecimento como com uma escultura em sua homenagem.

Em seu site, o Nicola deixa claro que sempre teve seu próprio lote de café, cuja origem é brasileira e de São Tomé e Príncipe. Localizado no bairro do Rossio, o café vive movimentado o dia inteiro e encontrar uma mesinha por ali pode se tornar num ato heróico, mas vale a pena.

Onde: Praça Dom Pedro IV, nº 24.

Confeitaria Cistér

Datada de 1838, a Confeitaria Cistér fica na frente da Escola Politécnica, no bairro de Príncipe Real. Pela pintura na parede do estabelecimento (confira na quarta foto acima), logo se percebe quem inspira o local: Eça de Queirós. O escritor de Os Maias e Primo Basílio gostava de frequentar aquela parte da cidade em busca de inspiração. Eu também gostei da região e do clima da casa (do café e do pastel de nata, então, nem te falo 😋). 

Onde: Rua da Escola Politécnica, nº 107.

Curiosidade: Eça de Queirós viveu um período na Inglaterra, quando foi diplomata, de onde escreveu os textos que foram transformados no livro Cartas de Inglaterra (1905); um material muito interessante para se conhecer um pouco do modo de vida e de agir inglês através do olhar de um português.

Outros cafés portugueses

No café do Museu do Azulejo, em Lisboa, e no Café Saudade, em Sintra (Acervo pessoal).

Ainda em Lisboa, conheci o café do Museu do Azulejo, que possui dois ambientes muito agradáveis: um interno (mostrado na foto acima), com direito a muitos azulejos (faz sentido!) na decoração; e, outro do lado externo, cercado de plantas e uma fonte inspiradora. É o lugar ideal para tomar um café acompanhado de um bom livro ou somente dos seus pensamentos, depois de admirar os belos e criativos azulejos do museu (Onde: Rua Me. Deus, nº 4, Jardim de Inverno).

Em Sintra, eu conheci um dos lugares mais agradáveis que existe para se tomar um delicioso cafezinho em solo português: o Café Saudade. Também, pudera: ele está instalado num antigo palacete desta que é uma das vilas mais belas de Portugal. Harmonia perfeita!

Eu fiquei tão encantada pelo ambiente acolhedor do Café Saudade e tão deliciada com a sua comida e doces que perdi a noção do tempo e, por pouco, a hora de pegar meu trem de retorno para Lisboa. Para minha sorte de viajante, o Café Saudade fica ao lado da estação de trens (ou de comboios, como eles dizem por lá), na Rua Dr. Miguel Bombarda, nº 6.

Curiosidade sobre Sintra: em julho de 1809, essa vila foi visitada pelo poeta inglês Lord Byron, que ali se inspirou para escrever o seu famoso livro A peregrinação de Childe Harold. Infelizmente, o Café Saudade não existia na época da visita dele, o que é uma pena, pois acho que Byron curtiria o espaço.

Concluindo

Depois de conhecer estes espaços, onde o aroma delicioso do café domina totalmente o ambiente, a comida e os doces são divinos e a decoração é carinhosamente pensada considerando o prazer que cada pessoa terá em estar ali, eu nem penso em mudar meu hábito: o café é e continuará sendo a bebida mais deliciosa que existe e os seus templos de consumo — históricos e literários — continuarão fazendo parte dos meus roteiros de viagens!

Se quiser ter uma experiência gustativa similar à minha, os endereços dos cafés de Lisboa foram disponibilizados neste post. Leve-os consigo e boa viagem. Tenho certeza de que você vai adorar esses passeios.

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